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O Legado Oculto.Parte 2 de 3

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A batalha começa e enquanto isso o chinês de perna quebrada havia se escondido atrás de uma árvore. Quando o rapaz está pondo a mão no casaco ele o contém com um aceno de cabeça e tirando o celular, faz uma chamada.
O líder da gangue ordena a morte de Pinãta para apavorar os adolescentes e assim, fazê-los se render. Mas logo percebe que o velho não era o alvo fácil que parecia. Quando ele o ataca com a kusarigama é a pequena bola de aço da arma é arremessada de volta com um contragolpe de Pinãta e ele é atingido na testa. Um segundo atacante com nunchaku também logo vai ao chão, com a arma inutilizada.  
Pacífica logo demonstra que não era uma donzela indefesa.  Um rapaz ataca com uma kunai. Um contragolpe vertical do cajado o faz largar a arma. Um chute lateral o atinge no fígado e por fim uma bordoada o atinge da direita para a esquerda fazendo-o cair rolando no chão, enquanto ouve a oponente comentar:
- Descuidado.
 Outro inimigo com dois bastões de madeira arremete gritando como um selvagem. Ela quebra um bastão com o cajado, arranca o outro da mão do oponente com um chute. Gira o um cajado para atingir o estômago do inimigo com o cabo. Um chute lateral de baixo para cima o atinge no rosto, fazendo-o cair no chão.
- Espalhafatoso.

Um rapaz com duas adagas sai ataca Kim, ela desvia o ataque da primeira com um chute, mas fica vulnerável a segunda adaga. Porém, antes que a lâmina a atinja ela e o oponente ouvem algo esquisito:
  - Seis passos à esquerda! Vertical! Golpeie Forte!
 O cajado desce como uma marreta e o cabo de bronze quebra o antebraço esquerdo do rapaz que é atingido no queixo por um chute de baixo para cima, desferido por Kim. O bandido é arremessado para trás, cuspindo dentes e sangue.
 Outro marginal ataca Toroa com um nunchaku. Ele se esquiva da perigosa arma, aproveita um descuido do oponente para quebrar-lhe o braço e depois arremessá-lo para trás, com o nariz esmagado. Um segundo atacante com duas kunai faz uma investida por trás e pela esquerda, mas só consegue cortar a manga do casaco do rapaz, antes de ter uma costela quebrada por um soco de Toroa, que depois desvia da outra kunai e usa a borda da mão direita para quebrar a clavícula do inimigo num contragolpe vertical.

  Um rapaz com dois bastões faz tentativas para atingir Kim, porém o medo torna os ataques dele desajeitados e ineficazes. Outro com duas kunai que ataca Pacífica também é neutralizado pelos hábeis contragolpes da jovem loura cega. Pinãta defendia-se do ataque de vários oponentes com facilidade.
  No outro lado da linha defensiva, a corrente com peso de uma kusarigama enrola no antebraço esquerdo de Toroa, que fica em apuros porque o oponente era tão forte quanto ele, e começa a puxá-lo para usar a foice. Então uma kunai arremessada por Pinãta quebra a corrente que prossegue na trajetória, até ficar cravada no tronco de uma árvore, enquanto o atacante recua aos tropeços, quase caindo no chão.  
 De repente, tudo muda. O líder da gangue, que estava com um plug no ouvido esquerdo que saia de dentro do casaco, diz em chinês:
- Retirada bifurcada!
    Toda a gangue sai correndo separada em dois grupos, levando os feridos. Pouco tempo depois, chegam quatro policiais, que iniciam uma perseguição em duplas.  


      O chinês de perna quebrada se aproxima usando as muleta, acompanhado pelo rapaz e pergunta:
- Todos vocês estão bem? Eu vi o garoto forte ser atingido por uma kunai!
Toroa tira o casaco, puxa a manga da camisa para cima, olha o braço e responde:
- Aquele ataque só cortou o tecido. Eu não fui nem arranhado!
- Fico feliz em saber disso. Agora, acho que os seus amigos já podem descer.
- Descer de onde? – pergunta Kim, confusa.
- Olhem para trás e para cima. – diz o rapaz.
Exceto Pacífica, os demais se viram e aí descobrem que Davina e os irmãos Pines haviam subido a base da estátua, ficando em pé e de costas para as figuras de bronze. Então Pinãta, Toroa e Kim os ajudam a descer e enquanto fazem isso, o chinês quarentão comenta:
- Eu nunca pensei que algum dia, veria uma artista marcial cega! Como você conseguiu chegar ao ponto em que está?
- Com muito treino, senhor...
- Zhu. Heng Zhu.
- Então você...
O comentário é interrompido bruscamente por um grito angustiado:
- PAZZZZZYYYYYYYYYYYYYY!
Mabel chega correndo, quase derrubando Pacífica no chão por causa do modo impetuoso como a abraça.
- Eu fiquei com medo de perder vocêêêêê!!!
 E em meio ás lágrimas, dá uma saraivada de beijos na namorada.  
- Mabel, por favor, se acalme!  - diz a jovem loura.

Porém, a garota parecia não ter escutado e só para quando o som de várias pessoas tossindo a tira daquele estado de quase histeria. Eram os quatro policiais que haviam saído em perseguição da gang e retornavam tossindo, cambaleantes, com os olhos lacrimejando. Pinãta, o rapaz chinês, Toroa e Kim vão até eles, ajudando-os a se sentar nos bancos de madeira. Um deles que estava de óculos escuros olha para o chinês quarentão e diz:
- Lamento capitão, eles escaparam.
- Capitão? – pergunta Dipper, perplexo.
- O meu pai chama-se Deshi Zhu, e é capitão da polícia de San Francisco. – diz o rapaz ao lado dele com orgulho.
- O que foi que houve? – pergunta Deshi. Um dos policiais, homem de cabelo castanho claro e que usava óculos escuros, que tinha ao lado um colega asiático responde.
- Fomos pegos de surpresa por um membro da gangue que fingiu ser apenas um civil. Ele nos atacou com spray de pimenta. Óculos me protegeram, mas Nathan não teve a mesma sorte.
- O mesmo comigo e Willian, senhor. – acrescenta um policial afro americano cujo colega tinha de cabelo castanho dourado.
- Ali perto tem um bebedouro público. – diz Pinãta – Usar água vai aliviar os sintomas, enquanto os paramédicos não chegam. O rapaz chinês já estava chamando o serviço de emergência. Depois ele vai até onde a árvore onde a kunai estava e usa um lenço para retirar a arma e embrulhar, guardando-a num bolso da jaqueta. No futuro, aquilo poderia ser uma prova em um eventual processo judicial contra a gangue.
 Os desfortunados policiais têm os olhos molhados várias vezes com água e depois se sentam outra vez nos bancos de madeira, ainda tossindo e esfregando os olhos. Com ajuda de Mabel, Pacífica se aproxima e diz:
- Quero agradecer a todos vocês por terem chegado, interrompendo o ataque daquela gangue traiçoeira. Lamento profundamente o sofrimento que estão sentindo. Sei como é isso, porque eu mesma fui vítima de algo muito pior, no ano passado. Os policiais olham para a menina, que então retira os óculos cor de rosa de ciclista. Mesmo com os olhos ardendo, os policiais ficam chocados com o que veem.
- Tenho medo em tentar imaginar o que causou esse estrago! – diz o policial afro, enquanto esfregava os olhos com as mãos. Mas sei que após alguns dias, meus olhos vão estar bem de novo. Gostaria que o mesmo pudesse acontecer com você, garota.
- Eu agradeço a sua solidariedade, senhor.
Zhu tenta entender tudo que havia acontecido.
- A gangue Víbora Verde é perigosa, mas o território deles fica a cinco quilômetros daqui! Nunca fariam um ataque como esse, a menos que algum membro da gangue tivesse sido insultado ou agredido!  
E olhando para Pinãta, pergunta:
- Por acaso o senhor ou algum desses adolescentes fez tal coisa?
- Não. Enquanto andávamos por Chinatown nós não vimos e nem fomos abordados por qualquer pessoa suspeita! – responde o monge.
- Eu estou na polícia faz 23 anos, conheço muito bem Chinatown, suas gangues e tríades. Outra coisa estranha além do ataque foi à retirada. Membros de uma gangue de rua como a Víbora Verde são incapazes de planejar algo tão elaborado! O que aconteceu nessa praça é um mistério que eu não consigo entender!

   Perto dali o homenzarrão com casaco de aviador vigiava Pacífica e os demais ao mesmo tempo em que conversava ao celular:
- Foi incrível, Ogawa-sama! Não precisei fazer nada! O garoto mais forte era um habilidoso carateca estilo Kenpo. A garota punk, uma ágil lutadora de boxe tailandês. O velho, um habilidoso mestre de kung-fu estilo Wing-Chun, cuja discípula era a jovem loura cega, que usou o cajado dela com surpreendente habilidade.
- Uma artista marcial cega? Isso é algo raro!
- Sim. Ela surrou dois membros da gangue Víbora Verde, que apesar da vantagem de três contra um, teve uma derrota humilhante!
- Ainda é cedo para comemorar. Quando souber que os lacaios menores falharam, tenho certeza de que Wong irá enviar Bai e Zheng contra eles!
- Então, precisarei intervir.
- Talvez não. Mei-chan já está a caminho para fazer uma troca. Agora, sua tarefa torna-se maior e mais complexa, porque deverá protegê-la também.  
- Assim farei Ogawa-sama! – responde ele, desligando.

 Nesse momento, chega uma equipe de paramédicos que começa a prestar atendimento os policiais feridos. Pinãta e os garotos acompanham todos até a ambulância, que parte com a sirene ligada.
- Para onde vocês irão agora? – pergunta Zhu.
- Nós moramos em Piedmont, e vamos pegar o metrô para lá. – responde Dipper.
- O meu filho Liang irá acompanhá-los até a estação de metrô. O treinamento dele como cadete da polícia está quase concluído e ele também tem uma arma. Mas espero que não seja preciso usá-la.
O capitão sugere um trajeto até a estação de metrô e entra em um carro de polícia que Liang havia chamado a fim de voltar para casa. O pequeno grupo parte, sem perceber uma garota chinesa de olhos castanhos, casaco e calças púrpura, blusa branca de gola drapeada sentada num banco de madeira próximo. Ela espera que se afastem e tirando um celular do casaco, faz uma chamada. Kenta havia escutado a conversa do capitão e também ouve a da garota chinesa. Quando ela segue para a esquerda ele vai na direção oposta, atrás de Pacífica e os demais.

 A várias milhas dali dentro de uma grande sala de paredes amarelo limão e piso de mármore branco, um chinês de cabelos pretos e olhos castanhos, usando terno cinza, camisa social branca e gravata vermelha estava ajoelhado diante dos seus chefes com as mãos nos joelhos, temendo pela própria vida.
 A esquerda do homem estava Bai, com um sabre Dao sobre o colo. À direita em pé, um homem de cinco pés e dez polegadas de altura com cinco caudas, de colete e calças terracota, camisa social marfim, sapatos pretos e duas pistolas de grosso calibre em um colete duplo de ombro. E no centro, sentado numa cadeira trono da dinastia Ming um homem enorme e musculoso com sete pés de altura, cabelos negros, olhos verdes, ombros largos, usando um elegante terno verde musgo com camisa social creme e gravata azul escuro, com um prendedor de obsidiana do tamanho de uma noz incrustado num engate de ouro.
Após ouvir o relato do subordinado ele fica em silêncio. Uma tarefa que parecia fácil havia apresentado complicações imprevistas. Mas tal possibilidade o tinha preocupado desde o início. Atacar oponentes desconhecidos sobre os quais não havia nenhuma informação prévia disponível trazia embutidos riscos como aquele.

- Devo mandar outro de nossos grupos associados, Nin-Wong?
- Não. Essa tarefa será feita por pessoas mais qualificadas. Agora, pode ir.
O homem faz uma reverência encostando a testa no chão e depois vai embora, enquanto agradecia aos deuses por sair daquela sala vivo.
Lei Wong diz aos parceiros:
- Dessa vez, é para pegar pesado! Peguem um Pomo do Maikai no arsenal, e me tragam aquele Ovo!
 A dupla fica perplexa ao receber aquela ordem, mas ambos não fazem qualquer objeção. Apenas fazem uma reverência e saem da sala.

   O covil daquele que era o ser mais maligno, perigoso e poderoso da costa oeste dos Estados Unidos ficava num local insuspeito para as forças da lei: o luxuoso e caríssimo bairro da Praia Norte de San Francisco, no alto de uma colina.
 A mansão estilo neocolonial espanhol de três andares com 849 metros quadrados era luxuosa o bastante para combinar com as casas vizinhas, mas sem ser extravagante e chamar atenção demais. Á esquerda no primeiro andar, a porta de uma garagem para cinco carros, uma porta dupla com moldura de bronze e quatro janelas ao lado.
No segundo andar, um grande pórtico de vidro com três janelas de cada lado. Em frente, belos jardins em dois níveis. Nos fundos, uma grande varanda com teto retrátil que abrigava uma piscina olímpica, tendo ao redor um jardim menor.

Parecia apenas um lugar luxuoso e caro, mas na verdade era mais bem defendido do que a Casa Branca ou o Pentágono, repleto de terrores ocultos e armadilhas místicas, capazes de matar qualquer intruso de dezenas de modos diferentes, consumindo os restos mortais sem deixar vestígios. Também possuía vários aposentos e passagens secretas, inclusive algumas que só podiam ser acessados através de magias, levando para locais distantes na Terra ou até dimensões sombrias.
  Bai e Zheng param no patamar da escada em frente á porta. Ele tinha nas mãos uma esfera verde, do tamanho de uma laranja. Após pendurar um binóculo no pulso esquerdo pela alça ela conjura uma magia e eles ficam invisíveis, antes de abrir a porta e sair no terraço, que tinha um muro baixo com cinco pés de altura. Ali uma segunda magia faz surgir um disco vermelho escuro onde ambos sobem. Guiado pela mente de Bai, o disco (também sob o efeito da invisibilidade), levanta voo e parte.

 Longe dali, Pacifica e a turma dela caminhava rumo à estação de metrô. Pacifica estava com Pinãta à direita, Mabel à esquerda com Dipper ao lado e Liang perto dele. Toroa estava atrás de Mabel atrás de Mabel que curiosa como sempre, pergunta ao jovem cadete:
 - Você escolheu a profissão de policial por causa do seu pai?
- Sim. Considero importante proteger as pessoas em geral e a comunidade chinesa em particular, daqueles que só querem prejudicar a todos.
- Tem mais alguém na sua família que pesa assim?
- Dois tios e um primo, além da minha irmã caçula Jingfei, que tem a sua idade e também quer ser policial quando tiver idade suficiente para isso.
- Uau! Quantos policiais numa mesma família!
- Mabel! Pare de importunar o cadete Liang! – adverte Dipper.
- As perguntas dela não estão me incomodando. – responde o rapaz.

  Em meio a multidão nas ruas, uma presença furtiva estava indo no encalço de Pacífica a passos rápidos. Tinha um metro e setenta centímetros de altura. Estava com botas creme de cano curto, calças violeta, casaco azul marinho de mangas longas com um broche metálico em forma de lótus púrpura no lado esquerdo,e blusa verde amarelado brilhante com um decote oval. O busto de 120 centímetros sacolejava a cada passo e teria atraído a atenção de todas as pessoas ao redor, sobretudo os homens... Se alguém pudesse vê-la.

  Ela era uma raposa antropomórfica, com olhos pêssego e cabelo aqua light. O pelo de seu corpo era cor de mel, com três caudas saindo através de uma abertura em forma de gota na parte traseira da calça. Ela estava conseguindo passar despercebida por todo mundo graças à sombrinha oriental verde lima em sua mão esquerda, com o ideograma japonês para Deslumbrar e por causa isso tinha o nome de Sombrinha Deslumbrante.
Quando estava segurando aquele artefato mágico, ninguém podia vê-la e nem mesmo os cães podiam farejá-la. Mei-Ling adorava aquilo porque mesmo quando estava disfarçada de humana, os cães percebiam a real natureza dela e latiam furiosamente. Mas ela já havia aprendido a controlar o medo e na maioria das vezes, os próprios donos dos animais os continham, além de pedir desculpas pelo estranho mau comportamento de seus pets.
 Para aquela missão ela estava usando um par de óculos com lentes redondas sem armação, chamado ,i>Olhos de Omoikane</i>. Com aquilo, era possível detectar o Ovo da Fênix, que sob as lentes brilharia como um farol em meio á escuridão da noite.

 Infelizmente, Mei-Ling não era a única que tinha algo para ajudar na busca pelo tão cobiçado Ovo. O binóculo nas mãos de Bai tinha o nome de Olhos do Abismo e com ele, ela podia não apenas descobrir artefatos mágicos como também ver o invisível.

 Mei-Ling encontra quem estava procurando. Começava parte mais delicada e perigosa da missão da qual ela fora incumbida. Tinha de fazer a troca e cair fora antes que os inimigos a encontrassem ou pior ainda, matassem Pacifica e seus amigos por causa de algo que já nem estaria mais com eles. Na mão direita ela carregava uma bolsa de seda vermelha, de onde retira um pequeno bastão de prata, ornamentado com belos desenhos. O momento decisivo estava cada vez mais próximo.

-Três caudas? – diz Pacifica de repente, sem mover a cabeça para trás ou mudar o ritmo da caminhada.
- Você disse algo, Pazzy? – pergunta Mabel.
- Por acaso está havendo algum alvoroço incomum entre as pessoas em torno de nós?
Apesar de achar aquela pergunta esquisita, Liang responde:
- Não. Nada além do burburinho habitual das ruas.
- Acho que você está achando o barulho excessivo porque não costuma vir a uma metrópole tão grande quanto San Francisco. – comenta Toroa.
- Sim, deve ser isso. – responde Pacifica, cuja mente estava fervilhando.

 (Isso é um absurdo! Tem uma mulher-raposa de três caudas vindo em nossa direção! Como ninguém está percebendo? A menos que... Sim! É isso! De algum modo ela está invisível! Apenas eu consigo percebê-la por causa do meu radar! Eu devia me preparar para uma luta. No entanto, sinto que não estou em perigo.)


 O Legado Oculto.Parte 3 de 3  > www.deviantart.com/tanukitagaw…
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