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Um Pouco de Historia

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Um Pouco de História





Era uma vez, em uma floresta densa, fechada e escura... Uma alcateia que estava ansiosa pelo nascer de seus novos futuros membros.

Durante toda aquela noite, o alfa do grupo isolou a fêmea que estava prestes a ter seus filhotes. Ele havia ordenado para que nenhum outro animal do grupo se aproximasse dela, e assim, todos o estavam obedecendo.

Aquele alfa, era um grande lobo de pele cinzenta, grande e lisa com olhos cor de âmbar que se destacavam na escuridão noturna da floresta, ali a luz da lua não penetrava. Ele estava na sua melhor idade, saudável como um leão e assim como todos, estava ansioso pela chegada dos novos filhotes, porém, a sua condição de alfa e o seu orgulho, não o permitia demonstrar os seus sentimentos como os outros.

No meio da matilha de apenas dez animais, entre lobos de pelagens claras e escuras, alguns um pouco mais amarronzadas, um jovem macho estava extremamente inquieto e ansioso. Andando rápido de um lado ao outro, de uma arvore a outra, ora tentando subir pelos troncos das grandes, e imponentes, arvores e ora desistindo do mesmo e arranhando bruscamente o tronco ou as raízes expostas na terra e pedregulhos próximos. Seus olhos eram verdes como esmeraldas o que lhe causava estranheza por parte dos outros ali presente porém, essa diferença sempre despertou o interesse do alfa, o que lhe rendeu proteção para a sua sorte.

Os outro machos e fêmeas, estavam sentados ou deitados mais próximo do limite da floresta com uma planície e campina, mais próximos do fim da floresta, eram facilmente mais notados mas estavam tranquilos, e os rabos balançando em sentido contrário ao das orelhas levantadas e atentas, demonstravam que estavam ansiosos pelo fim do ganido de dor e sofrimento da fêmea na floresta.

O seu jovem macho, ansioso não se aguentava de apreensão enquanto perambulava entre as arvores ouvindo o som de sua fêmea, até que o som mudou. Tornou-se um grito, surdo a qualquer ouvido humano, que durou alguns segundos, prendendo a atenção e o olhar de toda a matilha.

Este então, saiu em disparada para o centro das atenções. Rapidamente sumiu das vistas de todos enquanto corria por entre as arvores, pulando os lamaçais e desviando de grandes arbustos até parar em cima de um barranco, de onde era possível ver sua fêmea, lambendo a cabeça de um de seus filhotes, totalmente sujo de sangue e ganindo baixinho.

Tão logo o seu coração se acalmou, ele desceu o barranco e se juntou a ela, na tarefa de limpar os três filhotes de lobo, uma pequena fêmea preta, um pequeno e preto fosco e o terceiro que ele percebeu pelos seus olhos verdes vivos, que também possuía olhos diferentes, mas como não enxergavam cores vivas e distintas, não podia perceber, que era da cor do ouro além de brilhantes.

***


Alguns anos se passaram desde então.

Seus filhotes que haviam crescido numa noite quente de lua cheia em pleno meio do verão, agora, estavam a alguns anos já de se tornarem adultos.

Durante a maior parte do dia, a matilha seguia o seu próprio rumo, vivendo na floresta, a comida era farta e a água abundante no riacho próximo. Mas naquele dia, o alfa estava no alto de uma pedra conversando com o grupo, que agora, havia crescido apesar das uma ou outra perda de companheiro nos últimos anos.

Ele explicava que, durante a sua ronda constante a noite na floresta, e até mesmo durante as suas caças, sons estranhos para ele, eram percebidos. E que em uma dessas noites, próximo ao local da moradia do grupo, um animal estranho, e esguio, andando sobre duas patas podia ser visto na floresta e fora dela também.

Neste momento, ouve um pequeno alvoroço entre os animais ali presente, todos dando pequenos latidos e ganidos, mexendo as orelhas levantadas e olhando em volta, alguns mesmo já arranhavam a própria terra.

Enquanto o alfa convencia a todos de que eram para ficarem quieto, a fêmea preta, irmã do lobo de olhos de ouro observou um pássaro no galho mais baixo, mais ainda longe do grupo ali presente.

Estes, se olhavam e encaravam, enquanto o pássaro simplesmente balançava a cabeça de um lado para outro, observando-os. Logo em seguida, outro apareceu fazendo a mesma coisa, e outro.

A jovem garota, usou o rabo para chamar a atenção de seu irmão de pelo preto fosco ao seu lado que estava discutindo com outro lobo da matilha, o qual ele ignorou a pedido da irmã e após uma balançada de orelha e mexida de olhos, olhou para onde os pássaros estavam e os viu ali, parados com olhos curiosos.

Os três irmãos em si, eram diferentes de toda matilha, pois eram conhecidos por serem os mais teimosos, e os mais decididos. Deviam ser uma herança do pai ou da mãe, ou até dos dois, pois eram o casal mais difícil de se conversar, por serem muito duros nas opiniões.

Ao mesmo tempo, que havia um contraste que que todos os três eram muito parecidos em vários aspectos desde pequenos, os três eram muito unidos e por mais que brincassem, sozinhos, entre eles ou com os outros lobos da matilha, eles sempre voltavam para os pais, querendo ajuda-los, seja na caça de animais na floresta, ou de peixes no rio, mas nunca concordaram em caçar os animais que voavam, e isso, sempre foi um mistério para o casal, e para o casal alfa também.

Casal este agora, que havia se tornado os segundos na liderança do grupo, o casal Beta, que estavam empenhados em abafar a discussão dos mais de vinte lobos atuais na alcateia.

Voltando aos irmãos, estes quiseram avisar o seu irmão de olhos dourados para observar aqueles estranhos animais empoleirados nas arvores e quando olharam para ele, para chamar a sua atenção, este já estava compenetrado na sua própria observação dos mesmos pássaros, porém, fixado no último dos outros, que estava olhando-o do mesmo jeito.

Lentamente, foram ouvindo alguns sons de atenção vindo de algum lugar. Sons este muito bem conhecidos que foram se tornando mais e mais forte e próximos dos três até que o grupo de irmãos dá um salto para trás em susto ao perceber os machos Alfa e Beta na frente dos três e então, os sons que antes era de alvoroço, agora eram sons de risada da situação.

Logo os três pediram desculpas de cabeça e orelhas abaixadas de forma um pouco envergonhada e quando os adultos se viraram de costa, levantaram os olhos e os pássaros não estavam mais lá, apenas um leve rastro branco e úmido como névoa estava se esvaindo do lugar onde antes, os três estavam empoleirados.

***


O dia passou, depois daquele momento, como qualquer outro.

Os três casais principais estavam reunidos conversando entre si, enquanto cada outro lobo fazia algum dever diário. Já era fim de tarde e os três irmãos, que naquele momento não tinham o que fazer, estavam deitados na folhagem caída do outono. Cada um no seu canto favorito e com a mente longe.

A fêmea de pelo negro estava no limite da floresta com a ravina, observando uma pequena arvore seca, que sempre fora assim, desde que seus pais haviam chegado na floresta e na sua mente, algumas perguntas se passavam:

“Por que aquela arvore não dá folhas nunca? Por que os pássaros não pousam em seus galhos? Por que foi sempre tão seca e tão escura? Mais escura do que eu? Parece ser não é? Sempre que o vento passa por ela, não ouço seus galhos rangerem com medo de serem quebrados, por que? Porque eles seriam tão duros quanto a cabeça da gente?!”


Pensava ela se levantando, mexendo as orelhas e a cabeça, e lembrando que todos diziam que os três irmãos tinham a cabeça mais dura do que pedras.

Já o irmão de pelo preto e fosco, estava mais fundo na floresta, mais precisamente no local onde a mãe deles, havia dado a luz aos três. Ele sempre gostava de ir lá para ficar sozinho, um lobo de verdade sempre entende o motivo pelo qual quer ficar sozinho, quer entender a si mesmo sempre, antes de querer entender aos outros.

Este era o local favorito dele, por que ele podia sentir algo que o fazia, todas as vezes, querer chorar de felicidade com um aperto no peito, então, ele sempre deitava, como agora, colocando uma das patas da frente sobre a outra, e apoiando a cabeça sobre ela, ficava olhando e ouvindo o riacho que descia pelas pedras montanha a baixo, correr pelo seu caminho floresta a dentro.

Não era incomum encontrar ele, muitas vezes, olhando o próprio reflexo na água, sem entender porque o seu pelo era mais claro que o de seus irmãos, mas ele gostava de um detalhe muito especifico do seu pelo: era exatamente da cor da pedra em que sua mãe havia estado deitada enquanto estava tendo-os naquela noite.

Sua certeza do que ele mesmo era e o que sentia, eram sempre tão fortes ali, que ele não notou, novamente aquele pequeno pássaro empoleirado num galho de arvore, já de folhas alaranjadas, apenas observando-o e enchendo o peito, com um sorriso de satisfação em seu bico pequeno e nem pontudo.

Já sua irmã, agora estava na campina, toda curiosa, examinando mais uma vez aquela arvore estranha que sempre habitou o lugar. Ao contrário do seu irmão, a sua curiosidade e cabeça cheia de perguntas, mantinha a sua atenção presa na situação sem notar o pássaro que antes á havia encarado, empoleirado no galho mais baixo, e rindo discretamente daquela mente confusa, mas cobrindo o sorriso de seu bico com uma de suas asas na frente.
Sentado sobre uma pedra bruta, estava o último dos três.

Seu olhar estava focado mas ele não estava tenso, e a sua mente, estava quieta, em silencio, esperando, enquanto seus olhos dourados estavam focados no pássaro que estava em pé, sobre a pedra a sua frente, a cerca de 3 metros de distância.

O seu diferencial para os seus irmãos, é que ele era um pouco dos dois, mas a sua maneira, distinta de todos os outros.

Era curioso como a sua irmã, mas não deixava a curiosidade tomar conta de seus pensamentos ou ações, e mesmo tendo absoluta certeza de qualquer coisa que fosse, como o seu irmão de pelo fosco, sempre buscava provas de que estava certo. E naquele momento, a certeza que ele tinha, enquanto olhava o animal de asas encarando-o, é que ele não era um pássaro.

Seus olhos lhe mostravam isso sem que ele percebesse o quanto brilhoso eles se tornavam.

Via que na verdade, o pássaro era algo feito de outra coisa que ele não conhecia e nunca havia visto, mas brilhava como orvalho numa manhã ensolarada e cheirava a garoa fina em dia de sol brando.

“O que você deseja Lobo?” Perguntou o ser em forma de pássaro. Fazendo o outro levantar as orelhas como se ouvisse o que o pássaro avia fala em sons, mas sem eles.

O lobo não respondeu, apenas ficou observando-o e pensando que não desejava nada, tudo o que ele tinha aqui, ele precisava para ser feliz. Porém, ele percebeu que queria algo.

Se levantou da rocha onde estava, saiu de cima dela, e caminhando com o seu rabo balançando tranquilamente, abaixou a cabeça na frente do pequeno pássaro, mostrou algo semelhante a um sorriso e virou de costas, voltando para a sua matilha.

O que ele desejava, ainda não precisava acontecer, então ele preferiu guardar aquilo para si, com a certeza de que, se um dia precisasse, poderia realizar o seu desejo.

***


Ao Cair da noite, todos os lobos da matilha, estavam reunidos próximo ao riacho, dormindo, exceto o macho do terceiro casal, o Sigma, estava de vigia como de costume.

O vento, que sempre soprara a noite, hoje, cessou mais cedo e com essa estranheza, veio o cheiro de algo, ruim no ar.

Algo sujo, quente e faminto. Algo que estava vindo de algum lugar além da ravina.

O macho então, em seu dever, saiu de seu posto de guarda e foi até o limite da floresta, passando-o e subindo a ravina até a arvore seca e negra.

Seus olhos observaram algo quente e poderoso devorar a floresta, faminto e sem piedade, fazendo todos os pássaros que viviam do outro lado, esvoaçar em bandos para longe daquilo que até um dia atrás, era apenas arvores em seus milhares e infinitos ao longo.

Algum animal estranho caminhava pelo outro lado, em bando também, seu andar faziam a terra tremer, isso porque cada um apenas andava sobre duas patas, enquanto carregavam algo nas da frente.

Logo o animal percebeu o perigo e correu de volta para dentro da floresta, ouvindo um grito daquele animal que vinha em bando na direção da matilha.

Um som agudo foi ouvido, forte e alto que estalou numa arvore próximo a ele, fazendo várias das folhas secas caírem. Ele não entendia o que era aquilo mas voltou ao seu posto e deu o mais alto e longo uivo de alerta que pudera, antes de sentir algo quente passando pelo seu corpo e o bafo lhe escapar pela boca. Sua visão ficou turva rapidamente e seu corpo perdeu toda a força que tinha.

A matilha acordou do seu sono com o uivo de alerta assustada, e ao ouvir o som repentino e o próprio uivo sumir, o Alfa já desperto deu o alerta secundário em outro uivo mais forte mas não tão longo.

Logo a maior parte já estava de pé, e sem tempo nem para beber agua, seguiram rio abaixo correndo, sem entender o que estava acontecendo.

Os machos alfa e beta, não seguiram com os outros, foram até o corpo do sigma, caído sobre a pedra, sangrando e sem bafo. Ambos deram um uivo de tristeza e raiva com a morte do companheiro.

“Não importava o passado que tiveram, o que importava era que todos éramos parte de um grupo que trabalha junto para sobreviver... Por isso não vamos fugir!”


Na arvore ao lado, um corvo próximo ao alfa e águia próximo ao beta.

A sua presença não foi vista, mas para os animais, não precisava pois eles eram todos ligados entre si e sabiam que estavam ali.

Os dois animais correram em direção ao limite da floresta com a ravina, e se depararam com o inimigo já aos pontos, na entrada da floresta.

Ambos não hesitaram nem por um momento, então, avançaram mais rápido do que os homens podiam atirar com suas armas de fogo.

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Aquela batalha solitária e em grupo ao mesmo tempo, foi feroz para os animais que corriam e saltavam de um em um, mordendo cada parte que lhe era possível chegar com as presas.
Enfiando as garras em qualquer lugar onde eles alcancem.

Muitos homens caíram naquele momento, outros fugiram de medo dos animais de olhos fortes, mas ainda havia homens ali que tinham que fazer o seu trabalho então, mesmo depois de muitos homens feridos e os animais todos machucados, balas perfuraram seu corpo com precisão, e quando os animais pararam, foram aos milhares.

***


Riacho a baixo, os lobos da matilha travam a sua própria batalha contra os animais que andavam sobre duas patas.

As únicas duas saídas da floresta eram essas, pois não havia saída se fosse floresta a dentro. A luta dos animais conta aqueles estranhos que ficavam usando outra coisa além das próprias garras e presas para derruba-los estava sendo perdida.

Dos mais de vinte lobos da matilha, atualmente, menos de dez estavam resistindo e já muito feridos e machucados.

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Um dos homens, pegou a sua espingarda e pontou para a fêmea de pelos preto que havia acabado de matar um homem.

- Adeus bicho Demoníaco – falou o homem com a espingarda atirando no animal que havia matado seu irmão de guerra.

O tiro, foi certeiro e a fêmea caiu no chão imóvel.

O seu irmão de pelo fosco, partiu para cima do homem, pulando sobre ela e perfurando seu pescoço com suas próprias presas enquanto suas garras arranhavam o corpo do homem que mal podia gritar de dor.

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Caída no chão, a fêmea observava um pouco longe, um pássaro olhando para ela.

“O que você deseja?” perguntou o pássaro para ela que, em seu último bafo respondeu sem emitir nenhum som e fechando os olhos:

“Desejo... estar e proteger sempre... meus irmãos... família... casa...”


O pássaro então, assentiu com a cabeça, e se tornou duas aves ao invés de uma.

Um Par de corvos que futuramente ganhariam o nome de Hugin e Munin, que subiram ao céu e voaram mais rápido que qualquer andorinha, água ou gavião e voaram para onde nuvens de tempestade estavam se formando.

Suas asas e corpos cresceram e assim, bateram suas asas empurrando a tempestade mais rápido para onde foi um dia, sua casa. E então, ambos se esvaíram em névoa branda e branca como antes.

Naquela noite, uma nova estrela apareceu no céu. Pequena e tímida, mas presente, firme e brilhava hora mais e hora menos. A Primeira estrela que aparece ao anoitecer para guiar quem se ama até a sua casa.

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Depois de muito sacrifico, vários homens feridos e caídos, o Lobo de pelo fosco foi acertado pela arma do homem que este tentava matar, mas sem bala, este levou um acerto com a própria arma no pescoço, numa reação de medo e susto do homem adulto ao ser atacado pelo animal.

Uma tacada de sorte, que ao jogar o animal contra um rochedo próximo à entrada da floresta, recebeu rapidamente tiros pelo corpo e caiu no chão, olhando para o topo do rochedo.

Lá em cima, estava o outro pássaro, observando o lobo com tamanho respeito que o fazia piscar e admirar aquele animal de pelo lindo.

“O que você deseja?” perguntou o pássaro ao lobo, enquanto este ainda estava vivo.
O animal, lembrou de seus pais.

A essa altura, ambos já estavam mortos e era possível ver, o fogo que começava a consumir a floresta, chegar alto, até as nuvens escuras que chegavam aos montes pelo céu.

“Desejo.... Vingar... Viver... a todos...”


E o Lobo morreu, tendo seu corpo chutado por outros homens para trás.

O pássaro, em profundo respeito ao desejo e a ele, assim como outro, brilhou sem que nenhum humano pudesse vê-lo, tomando a forma de um cão grande e enorme, que tinha nuvens saindo de sua pelagem cinza e fosca, e faíscas nos lugares dos dentes. Futuramente ele seria chamado de Raijin, o senhor dos trovões.

Saiu da pedra como um raio que tivesse caído das nuvens que trovejam no céu, assustando vários homens.

Agora, que nunca notariam que mais uma estrela iria aparecer no céu, pois a nuvens, jamais iria mostra-los.

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O vento forte que vinha do norte, balançando e mantendo os animais que andavam sobre duas patas em pé com dificuldade, foi a ajuda que o lobo de olhos dourados e os últimos quatro animais sobrevivente precisavam para vingar a todos que poderiam naquele momento.

O vento de fato era tão forte que empurrava vários deles para frente ou para trás, o que tornava vários deles facilmente presas para os animais fortes e rápidos que sempre viveram na floresta e eram acostumados com esse tipo de vento, ou com animais grandes.

Nesse último suspiro de esperança para salvar a sua casa, eles fizeram tudo o que podiam.

Mas o Corvo e a Águia já estavam empoleirados com uma face abatida, apenas olhando os últimos cinco ferozes animais da floresta, derrubar o máximo que podiam dos inimigos.

Inimigos estes que estavam destruindo a sua casa sem nenhum motivo, para eles. E que falavam coisas que eles não entendiam mas sentiam muito bem. Para eles, os Lobos eram monstros, demônios, animais que não deveriam viver.

Tão logo veio o entendimento, os seus corpos não respondiam mais aos comandos dos donos, eles apenas estavam deitados, sentindo algo sair deles e ir embora, sem saber o que é.

O pássaro então, voou para mais perto do lobo de olhos cor de ouro.

“Ah.... Você veio então...?” perguntou o lobo, num piscar de olhos vagarosos.

“Sim, vim perguntar se desejar que eu realize o seu desejo agora.” Respondeu o pássaro a ele.

O Lobo e o pássaro então, dividiram memórias entre si.

Apenas o Lobo de olhos verdes como esmeraldas, o lobo Alfa que tinha olhos cor de âmbar e a sua mão própria mãe sabiam, que este lobo, era o que mais se importava com a vida dos outros.

Ele era o que os humanos chamariam de xamã. Pois amava e respeitava a floresta assim como todas as vidas dentro e fora dela. Fosse na caça de animais, ou de peixes. Ou de pequenos animais que eles não comiam, ele respeitava e buscava entender e não atrapalhar o serviço dos outros.

Mas daquele animal de duas patas, que estava queimando a sua casa e de todos, que tirou a vida de todos sem necessidade, ele não entendia. Então, num suspiro, ele respondeu ao pássaro:

“Desejo ter asas... aprender, crescer e estar junto de todos que amo...sempre”


O pássaro viu e ouviu tudo.

Assentiu com a cabeça e sumiu dali.

Um momento depois, uma terceira estrela surgiu no céu, ao lado das outras duas mas não tão juntas, todas tinham o seu espaço no céu e pareciam brilhar em resposta da outra.

O céu acima das nuvens, agora era um mar de estrelar, todas conhecidas entre si, e brilhando com a companhia da outra.

Elas não podiam ver, mas uma tempestade em baixo dela, apagava o fogo que os homens haviam começado.

Estes então, gritaram em meio a tempestade para bater em retirada, e raios que caiam do céu, acertavam um grupo deles que estava reunido.

Vários que se abrigavam da tempestade em baixo das arvores, morreram pelos raios que as acertavam ou, quando não acertavam, porque a arvore acertada caia em cima deles.

Do céu não era possível ouvir os gritos de desespero deles. Assim como eles, não podiam ouvir os gritos de desesperos dos lobos.

***

“Em algum lugar no céu, três irmãos brincavam juntos, correndo sobre as nuvens brancas e macias que passavam pelo céu. Eles do alto, observavam um mundo que eles não conheciam, mas também não fazia questão de ver com frequência sempre.

Um deles, tinha asas que era a única forma visível, ele não era um anjo, mas com certeza lá, eles estavam aprendendo e adquirindo a forma necessária para viver novamente... Sem deixar de ser quem são... E assim, quem sabe, nascerem novamente num lugar melhor para que eles sim possam realizar os seus próprios desejos.”
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