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“Dos muitos convites que eu recebia, ou recebo, alguns marcam de uma maneira... Diferente. Uns bons, outros ruins. E outros.... só o tempo pode dizer.”
Eu não esperava ser chamado, ou convidado aquela noite.
A noite fora dos outros mundos havia sido boa, mas difícil em alguns pequenos detalhes difíceis.
Ao ir dormir, eu apenas senti a minha mente e alta adormecerem com o calor amenizado pela água fria de uma ducha antes, e assim que dormi, apenas desci pelo caminho.
***
Fui chamado.
Ouvi o pedido pelo som do meu nome.
Aquela mão que se estendia na descida obscura.
Humana, branca e com as unhas levemente com pontas.
A decisão é sempre nossa.
E assim, eu ainda de olhos fechados, decidi seguir o que eu achava que poderia ser uma escolha ruim, e peguei naquela mão com a minha pata preta de lobo.
Conforme a descida apaziguava devagar e em posição vertical.
Fui me sentando delicadamente.
Ouvi um som de água e o cheiro de terra úmida era forte. O sol estava quente, mas não queimava e ao abrir os olhos eu pude ver tudo com clareza. Eu estava sentado e em um pequeno barco de madeira, com um animal em forma antropomórfica remando devagar a minha frente, e outro a frente dele.
Ambos tinham um pelo azulado e me lembravam pequenas lontras.
- Que diferente – falei, olhando para elas, que me encaravam com receio.
- Sabemos quem é você – Respondeu a que estava mais próxima de mim, com desgosto no tom da voz enquanto remava seguindo o fluxo do rio.
- Estamos fazendo isso apenas porque ele nos pediu. – Complementou o segundo mais a frente enquanto o barco virava em uma pequena curva.
- Entendo... – Respondi lembrando vagamente da descida, sem dar atenção, e observando o local que eu estava.
Era uma floresta, densa e fechada, mas o tom de azul pairava em tudo e reluzia. O céu então, parecia estar fora de um ambiente de vidro, assim como em volta. As árvores eram bem verdes, mas o azul que vinha do céu, refletia bem vivo em tudo.
Enquanto observava, eu notei outros como os que estavam no barco comigo, mas mais a margem do rio que se estendia ainda floresta dentro.
Estes eram diferentes. Uns eram pessoas, e outros, animais, tanto mamíferos quanto aves e híbridos, com cores e distintos ou mais perto do padrão da natureza.
Alguns inclusive eu já havia visto em outros locais e me eram conhecidos e quando estes me viam, eles iam embora pela mata ou no sentido inverso da margem do rio, como se fosse no contrafluxo.
- Não dá para fazer a todos felizes... Infelizmente – Murmuro comigo e olho para a frente, e vejo as duas lontras machos na minha frente, me olhando de canto de olho, enquanto remam devagar pelo rio até ir por dentro para dentro da floresta e os raios de sol adentraram com dificuldade.