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Orc

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Orc by BrunoKopte



    Orcs são um mistério que mata pessoas há milênios. Os povos de Sarba aprenderam como exterminá-los, como impedir que infestem uma região, de onde vêm, como se reproduzem. Mas continuam sem entender a sua origem, ou de que maneira conseguem manter uma população tão vasta que parece infinita, capaz de formar hordas migratórias ano após ano após ano.

Algo ainda incompreensível sobre orcóides, é como eles sustentam os seus números. Nenhuma expedição
jamais encontrou sinal de 
agricultura ou de pecuária no Cinturão Orc. E mesmo vivendo em áreas vulcânicas,
cujo solo geralmente apresenta grande fertilidade, 
orcóides jamais foram visto semeando ou até colhendo plantas.
Isto, mais o fato de metabolizarem ferro em crostas de ferro-frio, 
me leva a pensar que eles drenam a vida das
fadas de alguma forma, e que o rio sobrenatural entre o cinturão e Numéria foi criado 
para impedi-los de adentrar
nos domínios feéricos. Talvez eles sejam a razão pela qual as fadas contraíram os seus territórios 
até
o bolsão atual ao norte de nossos principados.

-Excerto de Uma Praga de Osso e Ferro, uma compilação de estudos kosinbianos sobre orcs.

    Embora não exista povo em Sarba que não conheça os orcs, os kosinbianos são os que reúnem mais informações, histórias e crenças sobre estes monstros. Apropriado para uma cultura que, segundo estimativas, enfrenta metade das hordas orcóides que deixam o Cinturão Orc. Os Bastiões do Sacrifício, uma linha de muralhas e fortalezas com dois mil e setecentos quilômetros de extensão e a maior fortificação do continente, existe por esta razão.

As crenças kosinbianas relacionadas aos orcóides podem ser resumidas em três tipos: que eles nos atacam apenas
porque estamos no 
caminho de sua fuga do Cinturão, onde Kahonua os castiga com terremotos, vulcões e relâmpagos.
Isso não combina com o folclore 
piromântico a que tenho acesso, mas é fato de que uma tempestade elétrica no horizonte, ao norte dos Bastiões do Sacrifício, costuma prenunciar orcs, pois os seus ossos férreos atraem os raios; outra é a de
que eles brotam diretamente do magma para testar a nossa fé, 
como se fossem demônios de Kahonua. Também não
tem base alguma, mas explicaria porque não entendemos de onde ou como eles
surgem; já a crença que motivou
a revolta da tribo Nuiba, sangrenta como nenhuma outra, partia do fundamento de que orcóides são 
apenas
a vingança dos Deuses Mortos, vermes que se alimentaram dos cadáveres divinos, e, assim como lagartas que
absorvem veneno 
das folhas, sugaram poder, ódio e ressentimento até se tornarem uma praga àqueles que confiam
na deusa do fogo. Todos crescemos 
ouvindo sobre como os Deuses Mortos foram incinerados nos mares ao sul,
mas não deixa de representar 
uma possibilidade intrigante e terrível.
-Excerto de Uma Praga de Osso e Ferro, uma compilação de estudos kosinbianos sobre orcs.

    Dito isso, vamos aos fatos:

  A fisiologia orc é única entre animais e monstros. A sua aparência básica é a de um humanoide grande e coberto com de pelo linhoso, olhos grandes e vermelhos, postura curvada e dentes feitos mais de ferro do que osso. Isto o torna capaz de mastigar ferro, embora armas de aço de boa qualidade exijam horas de “ruminação”. A anatomia de um orc consegue metabolizar estes fragmentos e acumulá-los em qualquer tecido ósseo. Infelizmente, no caso dos orcs isto inclui cicatrizes. Qualquer ferimento que um orc receba, desde um corte raso a uma costela quebrada, seja lutando ou autoinfligido, irá ser reforçado por uma crosta resistente. Punhos se tornam manoplas ou até clavas; unhas crescem até serem garras capazes de escalar paliçadas ou estripar vítimas; dentes crescem além da boca como em um javali; o peito pode ficar protegido por uma grade de costelas protuberantes; espigões por todo o corpo; cabeça protegida por um elmo natural. Com o tempo, um orc pode ter a maior parte de seu corpo revestida por uma carapaça óssea colorida em branco ósseo, cinza metálico e vermelho ferrugem.

    A forma de reprodução também é estranha, pois orcs são assexuados e necrógenos, gerando novas ninhadas a partir de qualquer cadáver suficientemente intacto.  É por isso que se recomenda estraçalhar ou queimar os corpos de orcs: qualquer dano é coberto uma crosta óssea, tornando-se um útero em que a carne morta sustentará novos orcs, irrompendo de uma casca de pele e osso como se fosse um ovo humanoide. Logo que nascem orcs já conseguem andar em duas pernas, procurando comida e ferro para acelerar o seu desenvolvimento.

    O comportamento orcóide é instintivo, sem qualquer traço de cultura ou civilização: eles não sabem usar ferramentas ou fogo, e se interessam apenas por comida e ferro. Em uma aldeia atacada, toda a população, animais e comida somem. Objetos de ferro e aço como pás, ferraduras e espadas são devoradas, mas prata e outros metais são intocados. Orcs com fome são capazes de comer madeira e as próprias fezes para sobreviver, mas isso os mantém em um estado debilitado. Averiguar o que exatamente foi consumido por onde eles passaram pode dar muitas pistas sobre o tamanho e condições da manada. Quando orcs conseguem grandes quantidades de ferro para consumo, constantemente disputam o metal, causando ferimentos graves mas rapidamente curados pelo ferro disponível. No final, criam uma hierarquia baseada na quantidade de carapaça que um espécime possui, com o orc alfa podendo ser inteiramente coberto por osso ferruginoso. Maior que os demais, lento e de movimentos rígidos, pessoas comuns podem até confundí-los com golems. Algumas comunidades fortificadas ao norte de Khejal usam apenas armas e ferramentas de bronze, na esperança de passar desapercebidas pelas hordas em migração, e certas tribos locais consideram a forja do ferro um tabu imperdoável.

Ninguém esquece a primeira vez que encontra uma horda orc. Sons de ossos raspando uns nos outros,
gritos de dor dos orcs lentos e, 
portanto, atropelados e canibalizados; e mais claro e forte que os vermelhos
de ferrugem e coagulações mesclando-se aos pelos longos, 
enredados em sujeira e pingos de suor; há o ranço
que assola até mesmo os narizes de soldados como eu, que cresceram com esterco 
atrás do celeiro e latrinas
públicas em becos escuros... Eles não sabem quando é hora de parar. E por incrível que pareça isto funciona
a seu 
favor. Pessoas sãs e dedicadas a viver são intimidadas, fogem, são massacradas... E não importa
quantas medalhas, condecorações e títulos 
o Império possa dar a alguém, um veterano só reconhece um:
o tufo de pelos de orc que todo soldado experiente carrega consigo. Toda vez 
que eu preciso odiar algo,
seguro o meu, e a tarefa fica clara: matar ou morrer.
-Francis Chaliba, veterano de cinquenta e sete expurgos sazonais.
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Como sempre, um texto incrível !
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